A concessionária ou revenda de veículos em Santa Catarina pode trocar o custo do floor plan por uma operação de crédito com garantia do próprio imóvel da loja — o CGI — alongando o prazo e reduzindo o que se paga para carregar estoque. O problema da revenda quase nunca é vender carro. É financiar o pátio cheio que fica parado enquanto o juro do piso corre todo dia.
Quem toca uma loja de veículos conhece a sensação: o showroom está abastecido, o pátio está cheio, e mesmo assim o caixa aperta no fim do mês. A explicação raramente está na venda. Está em como o estoque foi financiado — e o custo desse financiamento é o que decide se a margem sobra ou evapora.
Floor plan: o crédito que financia o pátio e come a margem
O floor plan é a linha que financia o estoque de veículos da revenda: o banco ou a financeira da montadora paga o carro que entra no pátio, e a loja quita conforme vende. É uma operação rotativa, de prazo curto, com o próprio veículo como garantia. Funciona — até o giro desacelerar.
Quando o carro encalha, o juro do piso continua correndo. Cada dia a mais no pátio é custo de carregamento sobre um ativo que ainda não virou caixa. E como o floor plan é, no fundo, capital de giro sem garantia real robusta, ele costuma rodar na mesma faixa cara do crédito de curto prazo — algo entre 3% e 8% ao mês. Em um mês de venda fraca, esse custo não para; ele se acumula sobre estoque que não anda.
É a versão sobre rodas de uma armadilha velha: a dívida exige mais velocidade do que a operação entrega. O floor plan resolve a compra do estoque, mas é caro e curto — e dívida curta que sufoca o caixa não escolhe setor.
Por que o estoque parado custa caro — ainda mais em SC
Em Santa Catarina, o mercado de veículos é aquecido e disperso, o que torna o estoque parado um problema concreto. Há polos fortes em Joinville, Florianópolis, Blumenau e na faixa da BR-101, além do oeste agrícola que gira picape, caminhão e máquina pesada. São pátios grandes, mix variado e ticket alto — o tipo de estoque que pesa quando o giro cai.
Some-se a sazonalidade: o litoral aquece no verão e esfria fora de temporada, e o agro do oeste compra no ritmo da safra. A revenda que abastece para a alta e segura juro de floor plan na baixa sente o descompasso direto no caixa. Patrimônio parado, caixa sufocado — só que aqui o patrimônio parado é o próprio estoque no chão da loja.
O ponto incômodo é que muitas revendas carregam esse estoque caro estando sentadas em cima de um ativo que ignoram na hora de financiar: o imóvel da própria loja.
Como o CGI sobre o imóvel da loja muda a conta
A virada começa quando a revenda olha para o imóvel da operação — o terreno, o galpão, o showroom — como alavanca, e não como cenário. O CGI — Capital de Giro Inteligente é justamente isso: uma modalidade de crédito com garantia de imóvel em que a empresa usa o próprio patrimônio para destravar capital mais barato e mais longo.
Os números explicam a diferença. O crédito com garantia de imóvel parte de cerca de 0,89% ao mês, com prazo de até 240 meses e LTV (relação entre o valor liberado e o valor do imóvel) de até cerca de 60%. Em vez de carregar o pátio a 3% ou 8% ao mês no floor plan, a loja levanta um caixa estruturado sobre o imóvel e usa esse dinheiro para girar o estoque com folga — reduzindo a dependência do piso e parando de sangrar margem em juro de carregamento.
Não é pegar mais dívida. É trocar dívida cara e curta por uma operação desenhada para o ciclo real da revenda. Crédito não é taxa, é estratégia — e a estratégia, aqui, é parar de financiar estoque com o instrumento mais caro disponível.
Floor plan ou CGI: a conta lado a lado
A tabela resume onde os dois caminhos divergem. Eles não são inimigos — resolvem coisas diferentes.
| Dimensão | Floor plan / giro sem garantia | CGI (garantia de imóvel) |
|---|---|---|
| O que financia | Compra de cada veículo do pátio | Caixa para girar a operação inteira |
| Garantia | O próprio veículo | Imóvel da loja (terreno, galpão, showroom) |
| Custo indicativo | ~3% a 8% ao mês | A partir de ~0,89% ao mês |
| Prazo | Curto, rotativo | Até ~240 meses |
| Quando brilha | Reposição rápida de estoque | Reduzir custo de carregamento e reorganizar |
Mesmo pátio, mesma loja. O que separa as colunas é o custo de carregar o estoque ao longo do tempo — e é nele que a margem da revenda se ganha ou se perde.
Quando faz sentido (e quando não)
O CGI ganha relevância quando o custo do floor plan já está comprometendo a margem, quando o estoque gira mais devagar do que o juro do piso, ou quando a revenda quer reperfilar dívidas espalhadas em vários bancos e financeiras num contrato só. Faz sentido sobretudo para a loja que é dona do imóvel e tem folga na garantia para trabalhar.
Não faz sentido em todo caso. Se a revenda não tem imóvel próprio, se o floor plan da montadora vem subsidiado com custo baixo, ou se o giro é tão rápido que o estoque mal encosta no pátio, a estrutura sobre imóvel pode não compensar. Boa estruturação às vezes é dizer que a operação não vale agora — e isso vale tanto para a revenda quanto para qualquer empresa que pesa floor plan contra cheque especial e capital de giro caro.
Como a gente chega no número
O ponto de partida não é o imóvel; é o objetivo. Quanto de caixa a loja precisa de fato para reduzir a dependência do floor plan, comprar estoque em melhores condições e atravessar a baixa de temporada sem sufocar? Desse número saem o valor da operação, o prazo e o LTV prudente — não o LTV máximo.
Se você toca uma concessionária ou revenda em SC e o custo de carregar estoque virou o seu maior vazamento de caixa, o caminho é uma avaliação preliminar de viabilidade. A mesa da Impulso estrutura a operação e devolve, com honestidade, se trocar o floor plan por crédito com garantia de imóvel faz sentido para o seu pátio — ou aponta a rota melhor se não fizer.
CGI (Capital de Giro Inteligente) é modalidade de Home Equity (crédito com garantia de imóvel). Conteúdo educativo. Condições sujeitas a análise; taxas, prazos e LTV são indicativos e variam conforme perfil do tomador, garantia oferecida e agente financiador. As operações são formalizadas por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central do Brasil e por fundos parceiros. A Impulso Capital é uma boutique estruturadora — não é banco, financeira nem securitizadora.
Perguntas frequentes
Dá para usar o imóvel da concessionária como garantia para baratear o estoque?
Pode fazer sentido. Muitas revendas são donas do terreno, do galpão ou do showroom e não usam esse ativo na hora de financiar estoque. O CGI (Capital de Giro Inteligente) é crédito com garantia desse imóvel: a loja levanta capital mais barato e mais longo e usa esse caixa para girar o pátio com menos dependência do floor plan. As condições dependem da avaliação do imóvel, do perfil da empresa e do agente financiador, sempre sujeitas a análise.
Qual a diferença entre floor plan e CGI para financiar estoque de veículos?
O floor plan financia a compra de cada veículo que entra no pátio, com o próprio carro como garantia, prazo curto e custo de carregamento que tende a rodar entre 3% e 8% ao mês. O CGI é uma operação única, mais longa, com garantia no imóvel da loja, partindo de cerca de 0,89% ao mês e prazo de até 240 meses. Um resolve a compra rápida do estoque; o outro reorganiza o custo de carregar esse estoque ao longo do tempo.
Quanto uma revenda de veículos consegue captar no CGI?
O CGI costuma trabalhar com LTV de até cerca de 60% do valor de avaliação do imóvel. Em um imóvel de loja avaliado em R$ 2 milhões, isso representa uma captação que pode chegar a algo em torno de R$ 1,2 milhão. A faixa de ticket vai de cerca de R$ 150 mil até R$ 120 milhões. O valor efetivo depende da avaliação do bem, do perfil do tomador e da análise do agente financiador.
Quais são as condições indicativas do CGI?
As taxas partem de cerca de 0,89% ao mês, com prazo de até 240 meses e LTV de até cerca de 60% do valor do imóvel. Para efeito de comparação, o floor plan e o capital de giro PJ sem garantia real costumam rodar entre 3% e 8% ao mês. São valores indicativos: as condições reais dependem do perfil da empresa, da garantia e do agente financiador.
A Impulso Capital é a financeira que concede o floor plan?
Não. A Impulso Capital é uma boutique estruturadora — não é banco, financeira nem securitizadora. O papel dela é desenhar a operação como uma tese de crédito e defendê-la junto a instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central e a fundos parceiros. Quem formaliza e libera o crédito é o agente financiador escolhido para o caso.
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